terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Ervilha Fit: Porque as ervilhas não têm de ser redondas

Ora muito boa noite, caros amigos!

É verdade, 2015 não só será, como até já está a ser, um ano de mudança. Chegou a hora de deixar a preguiça de lado, junto com a gula e todos os comportamentos que põem em risco o bem estar físico e mental da ervilha. 

Existe uma nova tendência, cada vez mais notória, para partilhar os bons hábitos alimentares e desportivos nas redes sociais, particularmente no Instagram - pelo menos no caso dos connects aqui da Lata. Pois bem, não quis ficar indiferente. Há já algum tempo desejava melhorar os meus hábitos e, finalmente, comecei a seguir um plano mais saudável. Ainda tendo sido iniciado há apenas duas semanas, posso afirmar, feliz e até algo orgulhosa, que já me sinto consideravelmente melhor. 

Ao contrário do que eu pensava - e provavelmente pensa quem não arranja coragem para adoptar um estilo de vida mais saudável -, ser saudável não custa o inferno que muitos pintam. O segredo para que resulte e para que tornem este tipo de rotina a vossa rotina diária sem que custe, é estarem carregadinhos de vontade e mentalizarem-se que nos primeiros treinos e refeições é necessário especial esforço, mas penso que com a minha ajuda, vão perceber que é um bom esforço. 

Tenho algumas dicas para vos ajudar a tomar, assim como eu tomei, a decisão que mudará as vossas vidas para melhor. Uma das minhas sugestões, é que leiam histórias inspiradoras de outras pessoas, como a minha, por exemplo. Conseguem encontrar relatos reais em inúmeras revistas. Devem também dedicar-se a breves pesquisas em sites brasileiros, nas quais devem dar especial atenção a publicações com títulos como, por exemplo, "Como ser gostosa em 5 passos" ou "Como ter bunda firme sem sofrer". No meu caso, o método que me fez sentir verdadeiramente decidida, pronta e determinada a dar este passo, foi procurar "citações super motivacionais para gordos preguiçosos" no google e fazer delas uma reza, feita em voz alta e, preferencialmente, em brasileiro. Passo a partilhar e analisar duas que encontrei e fizeram toda a diferença:

"Seja mais forte do que a sua melhor desculpa", quando repetirem esta frase, imaginem-se numa mesa velha de uma taberna a fazer um braço de ferro com a vossa melhor desculpa. Atenção, o braço de ferro tem de envolver, necessariamente, rosto muito vermelho e produção excessiva de suor, caso contrário é inválido. Lembrem-se, só têm de empurrar mais do que a desculpa, é fácil.

"Aquele que tentou e não conseguiu, é superior àquele que não tentou", pensem que, mesmo que falhem redondamente um qualquer exercício e tenham de andar de muletas o tempo suficiente para ficarem badochas de novo, podem sempre atirar à cara do vizinho anafado que tentará fazer pouco de vós "ao menos tentei, sou melhor do que tu segundo o frasescurtas.net, isto são marcas de guerra, ó betoneira!".

Posto isto, resta-me partilhar com vocês, bem à moda do Instagram, algumas imagens desta minha nova rotina, acompanhadas de legenda e, claro, as merecidas e necessárias hashtags.

É importante terem um bom saco desportivo.
#GymHereIGo
O saco com mais pormenor. Registem o material necessário.
#ErvilhaFit
Gosto muito de usar sementes nos meus snacks, as que vêm aqui são de linhaça. 
#PréTreino #EatClean

(Às vezes abuso nas sementes, aqui estão algumas a mais, mas não liguem.)
Arrisquem misturas, uma dica: se for colorido, é bom sinal. Combinem doce e salgado, o que importa é uma boa mixórdia. Nesta foto não está, mas costumo acompanhar este snack com um batido muito especial: leite ucal achocolatado (se for light não funciona) + chocolate em pó + manteiga de amendoim + leite condensado + chantilly + stracciatella + uma pitada de sementes chia.
#EatClean #Foco
Embora seja um plano rigoroso, podemos cometer uma loucura de vez em quando. Mas com juízo, não abusem!
#PequenaLoucura #AiODescuido
Não deixem que a pressa do dia-a-dia estrague o vosso plano! Dou-vos esta sugestão que prova que existem opções rápidas e saudáveis. Aqui também usei sementes mas, desta vez, de sésamo! Afinal a pressa não tem de ser inimiga da perfeição.
#RápidoESaudável
É importante estarmos motivados e sentirmo-nos confortáveis durante o exercicício. Lembrem-se, o treino é um momento de concentração e esforço que vale a pena!
#WorkHard #NoPainNoGain
Se adoptarem estes hábitos correctamente, cedo vão sentir efeito. Orgulhosamente, partilho os meus primeiros resultados, é verdade, ninguém diria que comecei só há duas semanas. 
#BarrigaChapada #OperaçãoVerão2015






É isto, espero que vos corra tão bem como está a correr aqui pela Lata. Coragem, se eu consegui, vocês também conseguem! Qualquer dúvida, não hesitem em entrar em contacto com a Lata. Boa sorte, ervilhinhas!

P.S: Publicação patrocinada pelo ordenado da minha mãe e pelas promoções do Pingu Doç.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Ágata e os Anjos

Ora, boas nôtes, que já está escurinho na rua.

Recordemos a grande Ágata, a senhora que já desconfiava quando ele chegava tarde para jantar e, sem qualquer conversa, dizia depressa que tinha estado a trabalhar. Ele, que se sentava à mesa e, com safadeza, mentia para ela. Recordemos Ágata, que ia no seu jogo e punha as mãos no fogo que não era assim. Ela já sabia tudo mas ele, lá no fundo, pensava que não. Nem sequer disfarçava as marcas deixadas no seu jaquetão. Sim, as madeixas negras que hoje ainda nega, mas que Ágata lhe diz que são da mesma dona daquele novo aroma que ele traz consigo. Foi por isto que Ágata, mulher de armas, não só lhe disse como lhe cantou, que saísse da sua vida, para ir, que ela não queria sofrer. Repetiu que saísse, que morria de ciúmes, ai, daquele perfume da outra mulher. Não o queria ver, insistia que fosse, sem nenhum queixume, e levasse o perfume da outra mulher. Aparentemente, Ágata não é gaga, mas apenas repetitiva.

Segura de que se lembram da cantora, é carregada de felicidade, predominantemente concentrada na caixa torácica e depois um pouco na zona dos joelhos - principalmente o esquerdo -, que vos digo que voltei a encontrar a estonteante Ágata algures pelas redes sociais. É verdade, sintam-se à vontade para festejarem e libertarem algumas lágrimas, fruto dessa inegável felicidade que é saberem que podem reintegrá-la na vossa vida, se assim o desejarem.

Com este reencontro, descobri o seu lado espiritual mais recente. A cantora - que sabia de telefonemas, que leu bem cartas e poemas, assim como também viu aquele retrato que, ao limpar o quarto do amado traidor, ai, ela descobriu - é agora uma expert no que diz respeito a Anjos. Não ao Sérgio e o Nelson, mas sim àqueles gordinhos com asas nas costas que andam geralmente caçapos.

Ágata teve uma vida difícil, como nos contam as suas músicas. Após alguma pesquisa, aprofundei os meus conhecimentos sobre as lutas da artista e vou fazer um resumo biográfico para que entendam o presente, que me fez reencontrar a agora perita em Anjos Guardiões.

Sim, a desafortunada cantora soube dos sonos agitados que ele, o seu amado, tinha descaradamente ao seu lado, dizendo sem fim o nome de quem amava. Ele chamava pela outra mulher mesmo ao pé de Ágata. Depois de lhe ter pedido repetidamente para sair da sua vida, levando com ele o perfume da outra mulher, apelidou de bendita a hora que ele deixou a sua vida, pois a separação era, sem dúvida, a única saída. Para ela, um mais um são dois, e não são três. Reparem na subtileza com que aborda matemática, de forma tão modesta, em composições desta dimensão emocional e expõe o seu conhecimento mais científico. Mostra-se aqui, mais uma vez, guerreira da vida, porque mesmo tendo passado por tanto, continua certa de que um mais um são sempre dois, excluindo a hipótese de ser alguém com profundas limitações cognitivas.

Como pode acontecer a qualquer um, também ela errou. Foi maldito o dia que ela o deixou regressar. A cicatriz metafórica que já mal se via, acabou por voltar. Ai, e as noites de insónia, de espera, de pura maldição. Foi maldito o dia em que ela abriu outra excepção. Este erro deixou-a entregue a um dilema complexo, que merece a nossa atenção. Esse maldito amor que a enlouquece, às vezes parece que faz bruxedo, pois é enorme o que ela sente. Ama o amor com medo. O amor, esse maldito, já fez magia, mas agora receia sofrer mais outro desengano - nem só "mais", nem só "outro", nada menos "mais outro", reparem no reforço de intensidade. Ágata chega, então, a um ponto em que já não sabe se ama esse amor mais do que o odeia.

Mas, na vida, tudo passa. O tempo vai passando e com ele, a dor também. É na música "Sozinha" que conseguimos vê-la reerguer-se da dupla desilusão. Está, nesta altura, quase a conseguir que a dependência daquele amor seja só uma recordação má. Está, mais do que isso, quase a aprender a viver do modo que está, mais sozinha do que nunca, mas feliz. Finalmente, sente-se prestes a tirar a sombra do anterior amado do seu ser e, assim, de uma vez por todas, a saber gostar dela própria.

Sugere que o traste não resolva aparecer pois, se o fizer, garante que lhe dirá, na cara, o que nunca conseguiu. A verdade é que prefere estar sozinha do que ter o traidor consigo, da maneira que ele era. Prefere estar sozinha que ao menos assim não se ilude, nem naufraga ou se afunda naquele mar de traições. Prefere estar sozinha, como afinal sempre esteve. Não precisa de chorar nem de saber amar por dois.

Agora que estamos todos mais próximos de Ágata, é-nos mais fácil compreender o seu novo “eu”, dedicado aos Anjos. A quem ainda não teve a felicidade de encontrar a página da artista, sugiro, deixando implícita alguma obrigatoriedade, que a visitem e acrescento que, diariamente, é publicado um vídeo de dicas relacionadas com a procura dos nossos Anjos da Guarda, que diz serem guardiões e algo semelhante a representantes de Deus. Desde ajudas para encontrar o nome dos nossos Anjos – que, desvendando já um pouco, pode ser descoberto com uma rápida pesquisa na internet com a data de nascimento e outro qualquer dado que agora não sei precisar –, à melhor forma de construir um altar para eles, a Ágata dá-nos um pouco de si, partilha a sua sabedoria e o tom de voz que usa nas gravações é bastante reconfortante.

Agora roubando um espacinho para uma confissão pessoal, estou até tentada a dormir ao som desses vídeos. Tenho a impressão que a voz dócil me saberá a cafunés feitos ao de leve com muito carinho.

É também importante referir que, segundo a entendida, temos uma Anjo que nasce e morre connosco, portanto, isso de se dizer que o Anjo da Guarda é algum ente querido que, lamentavelmente, faleceu, é reprovado por Ágata. Outro tema que me intrigou, no decurso desta intensiva pesquisa, foi o facto de os Anjos serem todos da Guarda. Um país tão grande e vem tudo do mesmo sítio. Quem me dera um Anjo da Baixa da Banheira.

Tssssschau. Um beijo no indicador. Ai, porra, cadê o gloss agora.

P.S.: Para a compreensão da despedida é necessário que estejam familiarizados com as dicas semanais da estrela.

P.S.1.: Para a redacção do presente texto foram necessárias várias consultas às letras de três músicas da artista: Sozinha, Maldito Amor e Perfume de Mulher.

P.S.2: Adoro-te, Ágata.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Viagem Viole(n)tta

Ervilhá, diz a ervilha sacudindo o pó.

Regressámos da terceira paragem, não cardíaca, da lata. Certo dia, a ervilha lembrou-se de voltar a dar uso aos pulmões adormecidos e, uma vez que respirava de novo, voltou a dar uso à vida e foi para Lisboa. Para recuperar a actividade na Lata, a ervilha escreveu um relato da viagem de ontem porque, convenhamos, os transportes públicos são o melhor cenário. Ora, apreciem. Ou leiam só.

É dia 24 de Janeiro. Estou no comboio, a caminho de Lisboa. Deu-se o azar de ser dia de concerto da famosa Violetta, uma jovem argentina que, aparentemente, dá sentido à vida de uma enorme parte das crianças que vêem o Disney Channel.

Entrei na segunda estação onde este comboio pára. Para chegar a Lisboa, demoro cerca de quatro horas – ocultemos os constantes atrasos. Aproximadamente meia hora após a minha entrada, os quatro bancos separados por uma mesa, daqueles para viagens de grupinhos, foram ocupados por duas mães e seus dois rebentos com talvez sete anos, portadoras de uma leve – mas provavelmente natural e expectável – síndrome de histeria.

Pouco tardaram a sentir-se em casa. Ah, como é bom este à vontade nos transportes públicos. Sei já que uma delas é a Maria – que, atenção, não costuma ser tratada por Mariazita, como o senhor pica tentou adivinhar – e a sua fiel amiga, a Carolina. O pica não questionou a moça, mas algo me diz que a tratam por Carol.

Inicialmente, tomaram a decisão de se entreterem com o didáctico e conhecido Jogo do Stop, pena que não tenham vindo munidas de papel e caneta. Foi um Stop diferente, original, muito geração que arrisca e considera palerma poupar a paciência dos restantes passageiros. Não podendo ser escrito, todo o jogo foi verbalizado oralmente. Ora, tão bom. Enquanto insisto em ler o livro que repousa no meu colo, mergulhada na história, dou por mim a procurar, mentalmente, animais que comecem com a letra F. Quatro pessoas e só conseguem dizer formiga. Num impasse, claramente em esforço, as quatro debatem a impossibilidade de todas conseguirem responder. Frango, foca, flamingo, furão. Não era assim tão difícil.

Talvez cansadas, e após um relato quase poético de uma ida à casa de banho da Carol e da sua mãe – com tanta partilha, sinto-me à vontade para a chamar Carol – acalmaram durante uns ternurentos cinco minutos. Li e reli inúmeras páginas, uma vez que a minha concentração decidiu dançar entre o livro e as duas crianças, potencialmente futuras artistas.

Denoto um pico de energia nas crias que, com um qualquer aparelhómetro cor-de-rosa, criaram e ocuparam o cargo de DJ da carruagem 21. É neste momento que todos os passageiros recebem a mensagem divina: vamos assistir a um tributo à grande Violetta. Não consigo conter a emoção e gratidão, vinha abatida porque, embora esteja a caminho de Lisboa, não vou assistir ao concerto. Obrigada, Carol e Maria. 

Ergueram-se dos bancos e os decibéis adoptaram também o caminho ascendente. Aí está, já não ouço o meu soluçar interior, sinto-me num concerto. Salvaram-me da minha angústia. Saltam dos bancos para dançarem mais à vontade, ignoram todos os possíveis constrangimentos. As mães incentivam e soltam múltiplas e estridentes gargalhadas. Isto sim, incentivar e acreditar no potencial artístico dos filhotes. Maria arrisca mais, no meio do corredor, entre os bancos, aposta numa descontracção pélvica que roça a sensualidade infantil – isto foi ligeiramente sinistro, tanto de ver, como de escrever. Suponho que este acto esteja directamente relacionado com o comprimento da saia da Violetta. Marotos, esses produtores da Disney.

Alguns risos, uns menos desesperados que outros, surgiram naturalmente, o que levou as duas Violettinas a exclamarem “somos as palhacinhas do comboio”, ao que se seguiu a confirmação dada pelas progenitoras. Quem me dera que a minha mãe me chamasse palhacinha. Quem me dera ter a amplitude pélvica da Maria e o bilhete para o concerto na carteirinha.

Desgastadas pela performance digna do maior palco do mundo, ponderam dormir uma sesta. Comovi-me neste momento, dei por mim a largar o livro, juntar as mãos em jeito de oração e a pedir que ferrassem o galho sem mais demora. Inicia-se, então, o debate sobre a ocupação dos lugares e as posições que pretendem adoptar enquanto cochilam. A Carol sugere que as mães mudem de lugar para que elas se possam esticar à vontade. Notem-se aqui os primeiros sinais do Complexo de Diva. Aparentemente capazes de fazer carreira na música, sentem-se no direito de expulsar as progenitoras para ficarem mais confortáveis. As mães, no entanto, não cederam, o que fez com que as jovens desistissem de dormir. Chorei.

Nova actividade. Estão familiarizados com aqueles joguinhos com coreografia de mãos e cantiga? Fizeram um desses, improvisado. Desconfio que tentaram seduzir um crianço no intervalo das carruagens pois cantavam “quando fui à casa de banho, vi um rapaz do meu tamanho”. Nesta altura, chega de novo o senhor pica, que se senta nos bancos ao lado e puxa conversa. Uma das mães lança algum charme, passando a mão pelo cabelo, inclinando o rosto, sorrindo e falando baixinho. Senti-me atraída e sou heterossexual.

Com a converseta, entendo que as raparigas têm efectivamente sete anos e que, afinal, há esperança para mim, que até então nunca tinha acertado na idade de ninguém. O pica desabafa, depois de ser questionado pela mãe engatatona, sobre o cansaço das viagens de longo curso, e alimenta a conversa, contando que “ainda ontem vinha um grupo de catorze pessoas para verem a Violetta”. Eis que após o quase emotivo desabafo do pica, sou presenteada com uma confissão das duas progenitoras “nós também somos muito fãs mas ainda estamos contidas”. Reparem: “ainda”.

Não consigo parar de tentar imaginar as quatro no concerto enquanto a Carol e a Maria iniciam um workshop espontâneo de sapateado e o meu traseiro é acariciado, através do banco, pelo pé do passageiro de trás. Deduzo que tenha um problema no joelho e precise de ir alongando.

Parámos durante algum tempo para ceder passagem a outro comboio e a Carol, perspicaz, diz “isto é estranho”, num tom dramático. Senti um aperto no coração. Passa-se algum tempo e descobre-se que à frente das Violettinas, está uma senhora acompanhada pela sua cria que, tal como elas, vão assistir ao concerto. Até ali discretas, denunciaram-se quando a mãe interrompeu a conversa das progenitoras da Carol e da Maria para se juntar ao debate sobre a qualidade da série televisiva. O tema central da troca de opiniões foi a beleza de um novo actor na segunda temporada. Ora, amizade profunda não pôde ser travada, uma vez que a mãe número 3, loiraça e de botas vermelhas – com um tacão mesmo de quem não está, claramente, familiarizada com o conceito de concerto – diz cheia de certeza e convicção, naquele debate técnico, que o actor da nova temporada é “feioso”.

Ri. Fecho o caderno, que estou quase a chegar.

quinta-feira, 20 de março de 2014

Albano, a Beterraba

Ervilhá!

Decidimos criar, na lata, um consultório de apoio a todos os legumes. Temos aconselhamento matrimonial, profissional, económico e muito mais. Hoje, partilhamos com vocês um desabafo que nos tocou particularmente, de Albano, uma beterraba frustrada. 

"Olá, prazer. O meu nome é Albano Francisco da Horta, sou uma beterraba. Toda a minha vida apreciei a minha cor, no entanto, com o passar do tempo, sinto-me saturado da vida de beterraba. Vou partilhar com vocês, caras e queridas amigas ervilhas, os meus dramas diários.

Tenho uma esposa, a Josefa, Juju para os amigos - eu sou obrigado a tratá-la por Josefa. É sem dúvida uma beterraba com muitos atributos físicos mas sejamos sinceros, a idade passa por todos e já não é tão jovem assim. O nosso casamento está à beira do fim. Além dos atributos físicos, a Josefa tem alguns problemas do foro psicológico, alterações de humor repentinas e constantes. É uma questão comum e profundamente preocupante nas beterrabas. Somos o legume com mais predisposição para este problema, segundo o Instituto Leguminal de Estatística.

Se ela decide fazer o jantar, está bem disposta. No entanto, o calor do fogão, forno e das panelas provoca súbitas oscilações de humor. Ora, estas alterações durante a confecção de uma refeição podem ter consequências catastróficas. Um dos episódios mais aterradores acorreu na semana passada, quando tentou fazer sopa com a nossa filha Matilde. Sim, as mudanças de humor despertam na minha esposa desequilibrada instintos canibais. Não é nada fácil reagir perante estas situações, ela fica completamente descontrolada e é verdadeiramente assustador. Naquele dia, a única solução que encontrei após agitá-la, gritar-lhe, abanar um leque para a refrescar e fazer alguns agachamentos enquanto pensava numa solução para por fim àquela crise, vi-me obrigado a agredi-la com uma panela de brincar do meu filho Telmo.


Consegui salvar a Matilde, mas arranjei mais duas crises. A do meu filho Telmo, que esperneou a noite toda por eu lhe ter arrancado uma asa da panela durante a agressão, berrou que nem um porco na matança, a Matilde esteve quase na panela e não fez tanto barulho. E ainda a crise da minha mulher, que ao voltar ao seu estado normal, quis vingar-se de mim. Foi naquele dia que passei a ser vítima de agressão por parte da Josefa. Agrediu-me durante duas horas e treze minutos, até eu conseguir deitar a mão à minha cachopa Matilde e oferecê-la para o jantar como os satânicos oferecem animais ao diabo.


Uma das vantagens de ser uma beterraba é não ficar com hematomas, caso contrário os meus amigos iriam fazer pouco de mim. Desde que a minha mulher deixou crescer o bigode, chamam-me "Albana" e perguntam-me pelo Josefino, "o meu marido".


Com tudo isto, o meu filho não me fala há uma semana e disse que só volto a ser pai dele quando lhe der um serviço de cozinha completo da IdeiaCasa e um serviço de jantar da Vista Alegre. A Matilde nega o trauma mas não voltou a comer sopa, não entra na cozinha e se alguém disser 'panela' ela começa a fazer o pino e a cantar "I Will Survive" aos berros enquanto chora. A Josefa, dá-me três palmadas todos os dias, uma de manhã, uma ao almoço e uma antes de ir dormir. O meu traseiro não tarda a transformar-se em puré de beterraba. Nunca soube lidar com a flacidez, desde jovem que a ideia de envelhecer me atormenta precisamente por isso e pelo pavor às rugas.

Ervilhas, isto é um pedido de socorro recheado de dor, pânico e desespero. A minha mulher precisa de ajuda profissional e eu até já contratei um repolho psiquiatra mas sabem qual foi o meu jantar no dia da primeira consulta? Sopa de repolho. Tive de esconder o cadáver do doutor nas minhas entranhas.

Aguardo uma resposta certeira que possa devolver-me uma vida normal e salve a minha família. 
Um abraço, Albano.

P.S. Não me despedi com uma amigável palmadinha no traseiro porque não me sinto à vontade para vos deixar tactear o meu traseiro flácido na retribuição da despedida."

Pedimos compreensão e um minuto de silêncio pelo nosso amigo Albano que se encontra numa situação tão delicada.

sábado, 4 de janeiro de 2014

Revolta do Comando

Ora viva, ervilhas!

Tenho um pequeno problema. O meu comando odeia-me. E é que não é o primeiro comando a não simpatizar comigo. E começou a revolta. Quando não está mais ninguém na sala, insulta-me e faz um barulho extremamente irritante e perturbador, não sei se é assim que os aparelhos eléctricos choram mas por amor de ervilheus, arranjem lá uma choradeira mais adulta.

Até hoje, não entendia o porquê de o meu comando me odiar. No entanto, ultimamente, tem tido atitudes mais preocupantes que o choro electrónico. Chegou, há uns dias atrás, a fingir-se de morto (ou avariado, como quiserem) para a mãe ervilha me demonstrar como sucedeu o ataque à primeira torre no atentado do 11 de Setembro. Sendo eu a torre e a cadeira que ela fez voar até mim o avião. Isto enquanto o comando mudava constantemente de canal seguindo esta ordem: 22, 1, 9, 19, 16, 5, 4, 9, 18, 16, 5, 18, 4, 1, 15. Seguindo o Método de Comunicação dos Comandos Maléficos - MCCM, um livro bastante elucidativo que posso emprestar, caso precisem -, obtemos a mensagem cruel. Este método consiste em numerar o alfabeto de 1 a 26 e fazer corresponder o número do canal a uma letra, o 1 é o A, o 2 é o B e assim sucessivamente. Os números dos canais pelos quais o comando passou correspondem às seguintes letras: v, a, i, s, p, e, d, i, r, p, e, r, d, a, o. O que resulta na mensagem: "vais pedir perdão". 

Perdi horas de sono e perdi programas que queria ver e o comando não deixou. Hoje perdi um dos meus episódios preferidos dos Ervilhinsons, que é uma série ligeiramente melhor que a que os humanos vêem, "The Simpsons". Vá, é quase a mesma coisa só que na nossa versão eles são verdes. Irritada, decidi falar com o comando. 

Agora percebo o porquê de todo o ódio. A culpa é minha. Todas as quedas e todos os voos que provoquei. Todas as feridas e peças partidas graças a mim. Todas as vezes que, por causa de mim, o pobre comando deslocou as pilhas. Desculpa comando. Perdoa as minhas mãos de manteiga. Eu não te quero partir nem nada do género, mas também tens tendência a escapar-me das mãos, gostas de adrenalina. É um mistério da vida isto de passar a vida a mandar o comando ir conhecer um pedaço de chão ou até mesmo de parede da minha sala aqui na Lata.

Um dia a revolta acaba e os comandos vão deixar de me perseguir. Provavelmente quando conseguirmos mudar de canal com o poder da mente. Vivo para esse dia.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Adeus, Férias

Ervilhá!

*Aconselha-se a todas as ervilhas leitoras que leiam as próximas linhas calmamente e conscientes de que o fim das férias é um tema delicado e extremamente dramático.*

Chegou o dia. O último dia (útil) de férias. Ai, a dor de o dizer. As lágrimas já perdidas no meio da lata. Hoje, caras ervilhas, é o último dia da boa vida. Adeus acordar tarde. Adeus ao almoço transformado em pequeno almoço. Adeus ao pijama até meio da tarde. Adeus às maratonas de séries e de filmes. Adeus. Escrevo, chorando.

À minha frente, estão mais cinquenta e nove dias de aulas, testes, trabalhos, manhãs difíceis e afins até às férias do Carnaval. Deu trabalho contar os dias. Isto das férias faz-me desligar a ficha. Choro compulsivamente. Limpo o ranho à camisola e digo para mim mesma "eles não precisavam de saber isto". Decido fazer parágrafo.

Fiz. Tento pensar noutro aspecto negativo do fim do meu amor de inverno -tentativa de referência ao chamado 'amor de verão'- com o meu sofá. Já sei como vai ser. Ele mergulha numa paixão que o deixa caído num estado bastante crítico. No seu assento fica marcada a minha forma sensual de ervilha. Chora sempre que saio para a escola e chora ainda mais quando volto porque me vê a trocá-lo pela cadeira velha e desconfortável atrás da secretária, onde faleço abraçada por livros e cadernos. Sofrimento que nos afecta a ambos, que nos corrói e mata por dentro. Não te quero deixar, sofá. Obrigada por todas as horas de aconchego e amor. Pelo carinho e paciência durante estes dias maravilhosos. Não me esqueço de ti. Eu vou voltar, em Março. E talvez te consiga visitar nos fins-de-semana até lá.

Agora à minha cama. Minha fofinha. Vou ter menos, muito menos tempo para ti. Mas todas as noites te vou nutrir e todas as manhãs vou chorar para te abandonar. E não, não é traição, sabes que gosto de ti de maneira diferente do sofá. Já passámos por mais. Serei sempre a tua ervilha. Com dor e algumas lágrimas, prometo que te compenso nas pseudo-férias do Carnaval. E quanto aos fins-de-semana, serei sempre tua. Sabes que se dependesse de mim, nunca te deixaria. Um beijinho na almofada e uma meia no fundo dos lençóis para não te esqueceres de mim.

Espero que o vosso regresso, mesmo que seja mais tarde ou que já tenha sido, implique/tenha implicado menos sofrimento. Vou continuar a chorar e a sair da cama para o sofá e vice-versa.

Adeus, férias. Ainda não acabaram e já tenho saudades vossas.

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Autocarros em Dezembro

Olááá, ervilhas!

Como o título revela, vou falar de viagens de autocarro durante o mês de Dezembro. Mais propriamente, da viagem que eu fiz de autocarro, ontem. Vim da Lata para Lisboa. Viagem que segundo a memória ervilhesca demorava umas loucas cinco horas (com paragem de uma hora em Viseu). No entanto, foi de umas ainda mais loucas seis horas e vinte largos (larguíssimos) minutos de atraso. Viva a minha memória, viva o meu traseiro espalmado naqueles bancos.

Fui a rebolar da Lata até à central onde apanhei o autocarro. Estava um tempo maravilhoso! Vento e chuva, mas não era uma brisa agradável ou uma chuva calma e até bonita. Não. Era uma tempestade, eu comi cabelo, tomei banho outra vez, enfim, parecia acabada de sair de uma lavagem automática. Todos os pneus limpinhos. Mas cheguei. Depois de ver a minha bela figura pós-lavagem automática, decidi que não valia a pena tentar pentear-me, visto que tinha de passar na rua para entrar na viatura.

Apanhei o primeiro autocarro da manhã, na esperança também de ir pouca gente e de não apanhar trânsito na chegada à grande cidade. Só a ervilha rebolou para o autocarro na paragem na Lata e, ao entrar, perguntou a si mesma se não estaria numa excursão da terceira idade. Os dez primeiros lugares de cada lado, na parte da frente da viatura estavam todos ocupados por senhores e senhoras com um ar muito simpático.

A ervilha nunca encontra os números dos lugares nos autocarros porque ora estão em cima, ora em baixo e ontem, pareciam não estar em lado nenhum. Estava à procura dos números e sendo a única ervilha de pé no autocarro, todos os outros passageiros estavam a olhar para ela - momento de embaraço. Iam sorrindo e alguns disseram bom dia, senti pena por parte deles. E vendo bem, seria compreensível que tivessem. Da porta da central até ao autocarro não consegui abrir o olho esquerdo, e o olho direito só não fechava porque tinha entre as duas pálpebras uma madeixa de cabelo que parecia estar convencida que era ali que devia estar. Despenteada, ligeiramente encharcada, com uma mochila que parecia um barril e uma mala pequenina que andava quase pendurada em mim por acaso. Ainda estava no meu sexto sono, toda eu encarquilhada, como as ervilhas congeladas no supermercado. Estranho seria se não tivessem pena do estado da ervilha.

Se ainda não entraram no espírito natalício, façam uma viagem destas - mas não tão longa. Todo o autocarro cheirava a Natal. Em todas as paragens entravam mais pessoas cheias de caixas de cartão com coisas escritas à mão. Quando saí do autocarro na pausa em Viseu, reparei na bagageira, parecia uma maternidade de caixas de comida. Comida, comida e mais comida! Dava seguramente para fazermos uma ceia de Natal ali mesmo. Habituada ao cheiro natalício, lá estava a ervilha sentadita, verde e (des)cansada. 

Chegamos a Coimbra e aí sim, o autocarro enche por completo. Só queria dormir e rezava para ninguém se sentar ao seu lado. A ervilha tem uma espécie de paranóia. Odeia dormir em transportes públicos porque se sente observada e imagina sempre que se fechar os olhos por mais que dois segundos, quando os abrir vai estar alguém a menos de vinte centímetros da sua cara. Ontem decidi ultrapassar essa paranóia e dormir. Mas o mundo, sempre contra a ervilha, sentou ao meu lado um rapaz que além de falar aos berros e não se calar durante mais do que trinta segundos seguidos, fixava o olhar na ervilha de uma forma muito desconfortável. Mas não é tudo. Quando o rapaz se sentou, a ervilha quase chorou, implorando por voltar a cheirar a comida natalícia, até os enchidos. O perfume do rapaz era bem natural e intenso. Enfim, como caracterizar o seu fedor? Chanel Sovaquel. Mas sovaquel de reserva, de há uns bons anos, diria.

Já em Lisboa, o trânsito, a voz e o cheiro do rapaz, as horas passadas em tortura e a dormência do meu traseiro, fizeram-me desejar partir a janela e rebolar até à paragem. Nunca desejei tanto chegar a Sete Rios. 

Quando chegámos, deu-se conta que o desespero por sair do autocarro era geral, todo mundo louco a tentar sair primeiro. Levantei o punho direito e ameacei toda a gente, fui a primeira a sair. Entretanto regressei à realidade e enquanto via a fila de gente para sair dali, perguntei a mim mesma se ia conseguir andar, visto que a dormência do traseiro se alastrou às pernas.

No meio de empurrões e demasiado contacto físico cheguei ao fundo das escadas do autocarro. Parei, abri os braços e ouvi, na minha cabeça, "run Forest, run". Um senhor atrás de mim empurrou-me e cortou o momento poético-cinematográfico. Não corri em câmara lenta porque ia levar um carolo das pessoas que estavam atrás de mim, mas quando pisei o chão senti-me verdadeiramente feliz.

Sentada num sofá e prometendo a si e à Lata que tão depressa, não volta a andar de autocarro, a Ervilha Incompreendida despede-se.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Folhas Menosprezadas

Ervilhá!

Chegou o momento de falar da vida das folhas. As folhas das árvores que todos conhecemos. Ninguém lhes dá valor, ninguém as compreende. A Lata tem a preocupação de dar valor às minorias e por isso vou dar-vos a conhecer a cruel e injusta vida das folhas.

Como sabem, no início da Primavera, as folhas verdinhas (tal como nós, ervilhas) começam a encher os ramos das árvores e a abraçá-las cheias de amor e dedicação. Passam assim a Primavera e o Verão, sem nunca largarem a árvore amada, entregando-lhe todo o amor e tempo que têm. Bonita história de amor, não é? NÃO.

Chega o Outono e sem sabermos bem porquê, a árvore decide atirar as folhas para o chão, excluí-las da sua vida. Como se o amor tivesse morrido ou até mesmo como se nunca tivesse existido. A opinião pessoal da ervilha é que as árvores de folha caduca sofrem, provavelmente, de um distúrbio de personalidade que se manifesta no início da nova estação e é isso que as leva a tomar esta atitude tão rude, insensível e reprovável. 

Agora vejamos o lado das folhas. Passam meses a viver com e para a árvore e com a chegada do Outono são expulsas da sua nova casa, deixadas na rua. São abandonadas, perdem a cor e arrastam-se pelo chão durante semanas e semanas. Algumas entregam-se ao alcoolismo colocando o caule nas tampas das garrafas de bebidas alcoólicas junto aos contentores do lixo. São varridas indelicadamente pelos varredores municipais e pisadas até à morte. Sim, a sociedade mata folhas inocentes de coração partido diariamente. É por isto que devemos respeitá-las e tentar prestar apoio psiquiátrico às árvores para deixarem a poligamia e  não destruírem mais vidas de pobres folhas. 

Não quero alargar-me muito na questão do alcoolismo das folhas, mas notem que é um assunto particularmente perturbador. Se vocês são daquelas pessoas que nos passeios a pé pegam numa folha caída no muro e brincam com ela até ao vosso destino, comecem a reparar nos caules. Se estiverem húmidos ou cheirarem a álcool, adiem um pouco os vossos planos e levem-nas a uma Associação de Folhas Alcoólicas Anónimas, por favor. 

Um assunto ainda mais perturbador, a prostituição. Quando as tampas não chegam para todos os caules, algumas folhas mais desinibidas, recorrem à prostituição. Cuidado com isso, cuidado com as folhas que já não se encontram inteiras, isso corresponde a nudez.

Na ressaca do divórcio das folhas, além dos maus caminhos que algumas tomam, temos aquele tipo de folhas que se atiram contra nós, que caminhamos pela rua, a fim de libertarem a raiva que depois da separação das árvores as invade. Outras, atiram-se para cima dos carros estacionados e colam-se ao vidros, implorando por atenção e que nem com o limpa pára-brisas a funcionar descolam. Essas, que resistem à força do limpa pára-brisas, são as masoquistas, gostam de ser agredidas e mantêm-se coladinhas ao vidro. As que se atiram para poças de água, provavelmente, tentam o suicídio por afogamento. Por último, visto que se tornam folhas sem abrigo, muitas preenchem o formulário para tentarem receber o rendimento mínimo garantido do estado, vejam como a situação é grave. Elas sofrem tanto, como podemos ignorar o que acontece mesmo debaixo do nosso nariz?

Espero que agora olhem de outra forma para as folhas caídas no chão, que as respeitem e cuidem delas, se possível. Caso vejam tampas de bebidas alcoólicas no chão, coloquem-nas fora do alcance destes frágeis seres. Tenho esperança que reflictam seriamente sobre o que vos contei.

Até à próxima publicação, a Ervilha Incompreendida despede-se!

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Fases do Estudo

Ora viva, ervilhas!

Todos sabemos a dor que é ter um teste, o peso que sentimos no dia antes. É disso que vou falar hoje. Podia ser um tema mais original, sim, mas sinto necessidade de vos confortar. Tenho teste amanhã *lágrima no canto do olho*, e o dia anterior é sempre o mais difícil. Espero que ao partilhar o meu sofrimento, acalme o vosso. Passo a explicar as fases do meu estudo no dia anterior ao teste.

1ª - Calma
Nesta fase, a ervilha sente-se calma. "Já estudei, estou dentro do assunto, vai correr bem."

2ª - Dúvida
A ervilha começa a questionar tudo o que pensava já saber bem. "Mas pode não ser assim, ali tem uma vírgula que pode querer dizer que afinal sou um rabanete."

3ª - Pânico
Perde o controlo e grita sozinha, gesticulando e simulando ameaças físicas contra a parede da lata enquanto chora compulsivamente. "NÃO SEI NADA, VAI CORRER MAL! VOU SER UMA ERVILHA DESEMPREGADA, VOU TER DE EMIGRAR E PASSAR A VIDA A MATAR MOSQUITOS, VAI SER ESSE O MEU TRABALHO EM ANGOLA. OH MEU ERVILHEUS, VOU SER UMA ERVILHA TORRADA!" 

4ª - Aceitação
Matar mosquitos não é assim tão mau, acaba por ser engraçado e não posso ser presa por mosquitocídio. Podia ser pior, acabar num congelador de supermercado seria definitivamente pior. 

5ª - Desespero
A ervilha larga os livros e mergulhada em lágrimas, ajoelha-se no chão da lata e pede a todos os ervilheuses (deuses das ervilhas) que a ajudem. Normalmente eles enviam braçadeiras e bóias para a ervilha não se afogar no meio das lágrimas e do desespero que a circunda. 

6ª - Recuperação 
A ervilha recupera a sua sanidade mental, decide pousar o livro e ir dormir. 

E é assim que passo as vésperas de testes, numa montanha russa sentimental. Queridas ervilhas, estudem. Neste momento, estou na fase da dúvida e a preparar-me para o pânico.

OH ANGOLA, NÃO SEI SE A MARIQUINHA VAI MAS EU VOU!

Pronto, acho que já ultrapassei a fase do pânico. Vou voltar ao estudo. 

sábado, 9 de novembro de 2013

Meias Solteiras

Ervilhá!
(ai, saudades deste olá)

Voltei mesmo. Hoje venho partilhar o grande drama das meias. É um tema que, na minha opinião, o mundo evita, por uma questão de conforto. Mas não escondam mais isto, é normal, temos de nos unir e aceitar a vida. Temas como este têm de ser falados, é por estas pequenas coisas que as ervilhas querem revolucionar o mundo.

Todos perdemos meias. Toda a gente perde uma meia no sítio onde guarda o calçado, no meio dos lençóis, numa mala de viagem e, na maior parte das vezes, no buraco negro que existe dentro de todos os cestos de roupa. Quanto a vocês não sei, mas aqui na ervilhandaria (lavandaria da lata), quando algumas meias perdem o seu par, são postas de lado. Chega! Porque não aceitam meias solteiras? Reparem, não faz sentido as meias terem de ser iguais nos dois pés. Se usarmos uma azul no pé direito e uma amarela no pé esquerdo a órbita da lata não muda, o céu não cai, a galinha Francisca não põe menos ovos.

Pessoalmente, as meias que são dobradas com o par igual, são as primeiras a usar, mas quando acabam, uso uma de cada. Pego em duas meias solteiras e mostro-lhes que é possível amarem outra vez. Falo a sério, modéstia à parte, sou o cúpido das meias. E vocês, se ainda não são, deviam ser. 

Pelo mês de Novembro temos os Casameias, cerimónias que servem para devolver às meias abandonadas a noção de amor, permitindo que se casem. E colocando novamente a modéstia de lado, digo-vos com orgulho que já juntei mais de vinte pares de meias que são hoje extremamente felizes em redor dos meus pés. Sinto mais amor nestes pares de meias que nem todos conseguem aceitar do que nas meias iguais, que se cansam uma da outra e caem na rotina. Estão sempre juntas, vão aos mesmos sítios, torna-se aborrecido. E lembrem-se, se a vossa avó vai dando "um pontinho" nas meias que começam a romper pelo uso, dá nas duas ao mesmo tempo pois são usadas com a mesma frequência. Como é que estas meias se apoiam no pós operatório? Com meias diferentes, com histórias e viagens diferentes, as intervenções cirúrgicas como as costuras não acontecem necessariamente na mesma altura, por isso, a meia-paciente que está na recuperação, tem todo o apoio da outra. Isto é um detalhe muito importante e determinante no sucesso da relação das meias e da sua felicidade.

Acordem. Ninguém quer passear um par de meias infelizes e cansadas. Vamos dar a oportunidade a cada meia que guardamos na gaveta de conhecerem um novo amor, não lhes retiremos a vida por terem perdido o seu primeiro par. Amem de novo, meias!

A ervilha despede-se sem qualquer ideia para uma despedida mais decente. :)

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

O Regresso da Ervilha

Heeeeeeeeey Ervilhada!

Pois, parece que sim. Ao fim de um ano e meio sem uma única ervilha rebolar por este blog, a Ervilha Incompreendida está de volta *aplausos*. Podia tentar justificar a ausência prolongadíssima com uma desculpa elaborada e "esfarrapada", mas não. Vou contar-vos a verdade. Peguem em lenços, pelo sim pelo não, pode ser comovente.

Ora, a última publicação na lata foi feita no dia 1 de Maio de 2012, há precisamente dezoito meses e quatro dias, falando-vos do caso de possessão do meu belo telemóvel. Se não estão a par do tema, a solução para estes casos são os exorcismos. E assim sucedeu, na noite do dia 1 foi feito, na lata, um exorcismo. Durante este ritual é necessária uma ervilha-padre-exorcista e o cumprimento de uma lista de regras:

1. Não olhar directamente para a ervilha/objecto possuído;
2. Não cair na tentação de rolar com o possuído(a) pela lata fora, não importa o quão aliciante poderá parecer;
3. Não errar uma única palavra ao rezar a Ervilha Nossa;
4. Humilhar com alguma contenção o ervílhito (espírito leguminoso) mostrando-se espiritualmente superior e mais forte;
5. Nunca comer pão integral nas 6 horas anteriores ao ritual;
6. Não usar ganchos, brincos ou qualquer coisa que possa servir de palito ao demónio;
7. Nunca dizer 'Anticonstitucionalissimamente';
8. Não dialogar directamente com a força malígna com outro propósito que não o de saber o seu nome.

Poucas, certo? Pois. No entanto, para a comunidade ervilhesca, foi extremamente complicado cumpri-las. Passo então a relatar detalhadamente a preparação e a realização do Exorcismo Verde.


Sim, sou uma ervilha estrábica. E sim, o paint é muito complexo
para mim, desculpem migos.

Às nove e meia da noite as ervilhas que iriam participar na salvação reuniram-se no canto superior direito da lata (frequentemente usado como sala de reuniões) para reverem todas as regras e se prepararem para o serão longo e complicado. Meia hora depois, já se encontravam no local escolhido, com o telemóvel bem sentadinho numa cadeira forrada com os restos da saia amarela da Matilde (ervilha sensual que fez parte do grupo responsável pelo exorcismo) e a ervilha-padre-exorcista com o seu livro "Exorcismos para Ervilhas". E assim, começou o ritual, com quatro ervilhas presentes, além do telemóvel. Nem um minuto da longa noite tinha passado, já regras tinham sido quebradas.
Anastácio, a ervilha-padre-exorcista assim que entrou na sala escolhida, olhou directamente nos olhos azuis e brilhantes do telemóvel e comentou com este que a sua sobremesa tinha sido uma sandes de pão integral com coiratos. Como podem entender, quebrou duas regras, a do olhar representa um elevado risco de possessão do interveniente puro, ou seja, Anastácio. Quanto ao pão, podem não saber, mas os ervílhitos têm uma fixação por este alimento, correndo assim o risco de ver nas ervilhas presentes um papo seco integral fresco e apetitoso que ficaria muito melhor no seu estômago metálico. 

Deu-se então início à expulsão do demónio e como é normal nestas situações, o exorcizado tenta sempre distrair o exorcista, diminuindo o seu poder como curandeiros do mal. A regra número 7, referente à utilização da palavra 'anticonstitucionalissimamente' é, provavelmente, a mais complexa para qualquer ervilha pois esta é uma palavra que usam com bastante naturalidade e frequência. 

Matilde, a ervilha sensual de que vos falei decorou as regras e estava empenhadíssima em cumpri-las mas tal era o seu desconforto, que a sua contenção estava a tornar-se insuportável. O cheiro a coirato que perfumava a sala graças a Anastácio, a ervilha mais coirateira da lata, gerava nela um desconforto tremendo. Faço agora um aparte para explicar os motivos do seu incómodo. Disse-vos que é sensual, e é, agora. Em criança, era uma ervilha obesa. E não riam, obesidade nas ervilhas é algo delicado. Tudo bem, somos todas redondinhas, mas obesas, tornamo-nos num tremoço grande e inchado, ou se preferirem, numa azeitona mais redondita. Não é algo que passe despercebido, e no recreio, nas corridas de rebolation, as ervilhas obesas não podem participar porque é considerada uma "vitória injusta" e acreditem, são estes momentos de rebolanço que nos permitem socializar, não o fazer dificulta muito a nossa vida de socialite. Sendo uma ex-obesa, é claro que coirato é coisa que não consome, cheirá-lo dá-lhe tremores e suores frios e, em casos extremos, ouve vozes "Come gorda! Olha o coiratinho gostoso!". Como se presenciar e fazer parte de um exorcismo não fosse por si só uma situação de tensão elevada, debatia-se ainda com o seu passado dramático. Esta agitação de Matilde fez com que esta repetisse sucessivamente as regras, primeiro para si, depois ia elevando o tom até que parou e gritou precisamente vinte vezes "ANTICONSTITUCIONALISSIMAMENTE". Escusado será dizer que depois disto, sofreu uma paragem cardiorrespiratória. No ginásio aqui da lata não rebolamos nem saltamos nem nada do género, sentamo-nos e dizemos cinco vezes 'anticonstitucionalissimamente', o que é equivalente a correr uns quatro quilómetros em sprint. Pronto, estou a divagar muito. Voltemos ao exorcismo.
Depois do incidente da Matilde, o telemóvel ergueu-se e tentou dançar tango com a ervilha que estava encarregue de segurar a cadeira, esta, desde de sempre solteira, caiu no olhar sedutor do possuído e desmaiou. Todo o pânico e agitação tornaram o processo mais longo, mas a ervilha-padre-exorcista, sem saber bem como, pois tudo apontava para um enorme falhanço, conseguiu expulsar o demónio do telemóvel. Mas não acaba por aqui. 
Isto é uma ilustração que achei perfeita para vos mostrar 

como seria a Matilde ainda sensual, caso fosse humana.

Matilde, pobre ervilha, nunca conseguiu recuperar do episódio e entregou-se de novo aos coiratos e torresmos, ocupando actualmente 7,3% do espaço disponível da lata com o seu volume (mas continua a ser amada, atenção). A ervilha que dançou o tango, ficou possuída, apaixonada e acabou, mais tarde, por ter de rebolar para fora da lata. Anastácio, decidiu desistir da sua carreira de exorcista, por danos emocionais e psicológicos ao ver todos os incidentes. E mais grave... agora sim, peguem nos lenços, não há maneira suave de vos contar isto. A quarta ervilha, da qual ainda não falei, era a Gertrudes, experiente, com muitos anos de vida, que teve um fim trágico na noite do Exorcismo Verde. Numa das explosões de fúria do possuído, entre tangos, coiratos e anticonstitucionalissimamente's, acabou por ser irremediavelmente esborrachada, tornando-se em puré verde. Façamos silêncio pela alma desta ervilha que tanto deu à lata.

Apesar de o telemóvel se ter livrado do demónio que tomava conta do seu interior, nunca mais foi o mesmo devido a lesões psicológicas, tanto pelas memórias das possessões, como pelo episódio incrivelmente dramático da noite do exorcismo. Assim, como sei que entendem, os meses seguintes foram muito complicados para a lata, restaurar a felicidade foi um processo longo e trabalhoso, sem o isolamento não conseguiríamos ultrapassar tudo isto. Agradeço a cada ervilha que deu tudo de si para nos conseguirmos erguer, juntas e verdes! Espero que me perdoem e que voltem a visitar a lata regularmente. E lembrem-se, aqui nunca vão ler desculpas ou invenções, triste ou não, terão sempre a verdade. (É neste momento que eu tenho noção de que escrevi muito mais que o normal e penso que já ninguém está a ler isto, mas caso estejam, entendam que o regresso tinha de ser em grande, pelo menos em número de baboseiras. Isso, acho que consegui.)

A Ervilha Incompreendida despede-se rebolando de felicidade por voltar aqui. :3

P.S: Peço a quem ler isto que tente dizer "anticonstitucionalissimamente" alto e três vezes seguidas. Fico feliz ao imaginar alguém a fazê-lo.


terça-feira, 1 de maio de 2012

Possuído

Hello!
*AVISO: Este post é para ser lido com uma voz dramática e para um melhor entendimento da gravidade da situação, deve respeitar a pontuação. Obrigada.*

Caras ervilhas, hoje finalmente ganhei coragem para tornar público o fenómeno que tem ocorrido repetidamente na Lata, nos último tempos.

Há um caso de possessão que se está a tornar cada vez mais frequente! O estado de saúde do indivíduo em questão é extremamente grave e ameaça pôr em risco a saúde dos que o rodeiam. A sua insanidade tem resultado, entre outras coisas, em espasmos musicais. Sem mais demoras, revelaremos a identidade do indivíduo possuído: o meu telemóvel.
O que sucede durante a possessão do indefeso aparelho, são, como já referi acima, espasmos musicais. Isto é, sem qualquer razão aparente, começa a "dar" música (mas alguém, além dos professores de música, dá música?) no volume máximo. Pois, medo. Se isto acontecer de dia, não é grave, agora quando é a meio da noite, a ervilha morre um bocadinho.
Imaginem: são cinco e meia da manhã, a ervilha está a dormir profundamente e de repente, ouve uma música aos berros, música essa que não é nenhum dos seus toques definidos nem o despertador. Naturalmente, o primeiro pensamento que a ervilha tem é "mas quem será o ladrão que se encontra do lado oposto da janela, que tem obviamente bom gosto musical mas que, lamentavelmente, não consegue ser súbtil durante o seu serviço nocturno?" (sim, nós ervilhas conseguimos ter esta velocidade de pensamente durante a madrugada). E depois, vem o pânico. A ervilha percebe que o hipotético ladrão não está do outro lado da janela mas sim na mesma divisão! Imediatamente, pensa em várias hipóteses para tentar escapar ao massacre que o ladrão possa, eventualmente, ter planeado:

1. Fingir que é sonâmbula, dizendo, como quem não quer a coisa, "Sou sonâmbula, vou voltar a deitar-me porque não dei conta que isto é um assalto";

2. Com voz perigosa, ameaçadora e ligeiramente descontraída diz "Então pá? Vens à lata a meio da noite só para apanhares? Deixa-me só chamar o resto da ervilhada que já te nutrimos!" (deveras assustador, isto irá marcar uma posição e, consequentemente, criar uma relação de respeito ladrão-ervilha);

3. Chama a mãe calmamente para que o intruso não se assuste e reza para que ela traga uma frigideira ou qualquer objecto potencialmente perigoso;

4. Chama a mãe aos berros, dizendo "MÃÃÃÃEEEEEEEEEEEEE! Trás uma frigideira!" e para disfarçar, acrescenta "Apetece-me fritar um ovo!".

Geralmente, opta sempre pela primeira hipótese. Deita-se e ensaia mentalmente o que é que vai gritar, caso o ladrão tente comunicar. Nisto, olha para o lado e vê o seu telemóvel com a luz acesa, pálido, mesmo com cara de quem está a ser possuído. A medo, estende o seu braço direito para desligar a música e vai fazer um ovo estrelado, visto que a 4ª hipótese de escape ao massacre a deixou com apetite.

Como podem perceber, dormir, para a ervilha, já não é a mesma coisa. Deita-se todos os dias, na incerteza de ter de passar por tudo isto outra vez. Embora sofrida, a ervilha apoia o seu aparelho nesta fase difícil e terminal da sua vida.

A ervilha incompreendida despede-se :)

P.S:. Pai, se estiveres a ler isto e eu sei que vais ler, pois vou encarregar-me de te obrigar a fazê-lo, COMPRA-ME UM TELEMÓVEL e és lindo!

domingo, 16 de outubro de 2011

Alguém tem vontade de vestir isto além de mim? :D

Ervilhá!
Alguma ervilha por aí, gostaria de vestir uma t-shirt destas? Sendo que a da esquerda seria a parte da frente e a da direita a parte de trás. Podem dar a vossa opinião sobre as ditas t-shirts nos comentários :D


Se realmente quiserem uma t-shirt desta, enviem um mail para:
latadeervilhas@sapo.pt

Até um próximo post, a ervilha despede-se :)

P.S: prometo não demorar muito tempo a fazer outra publicação *.*

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

O Mundo é das Ervilhas! :D

Ervilhá! :D
(vou insistir nesta bela saudação)

Queridas ervilhas, queria escrever-vos, mas acontece que a ervilhola (sítio onde nós, ervilhas, temos aulas) não é nem uma fonte de inspiração, nem algo que deixe muito tempo livre.
Pois é, nós também temos ervaulas :/ Fartinhos de ouvir falar do deprimente regresso às aulas, estamos todos, mas é inevitável querer contagiar-vos com a minha depressão. Infelizmente, não tenho assistido a nenhuma história extremamente entusiasmante ou engraçada para vos contar, daí a minha demora a publicar outro texto.

(E agora vocês pensam "Não tinha nada para contar, mas como está a escrever, é porque já tem!")

Não tenho nada excitante para contar, apenas assustador. Pânico? Sim.
Considero de bom tom deixar-vos a par dos planos maléficos que ocupam a Lata. Nós, ervilhas, a leguminosa mais sexy de todo o planeta, estamos a elaborar um plano extremamente complexo para dominar o mundo! Tudo começou depois de uma pesquisa no Youtube sobre ervilhas. O choque foi geral, tudo o que encontrámos foram filmes sobre como fazer sopa de ervilhas! Muitas ervilhas perderam a vontade de viver, outras, deixaram de ser verdes. Após superarmos a dor, unimo-nos e partimos para a elaboração do plano maléfico!
(esta é a parte em que todas as ervilhas dizem em conjunto: MUAHAAHAHAHA! sentiram a maldade em sintonia?)
Sem permissão para mais pormenores maléficos, deixo-vos alerta e provavelmente assustados. As ervilhas são muito mais que sopas ou contos sobre princesas que dormem sobre vinte colchões!
*indignação*
Uma ervilha sozinha magoa uma princesa, uma centena já enchem um prato! MUAHAHAAHA(está a tornar-se repetitivo?)
A ervilha incompreendida despede-se :)

P.S: sim, tenho noção que este texto está ainda mais fraco que os outros, perdoem-me, o plano maléfico requer toda a minha pseudo-criatividade e o pouco bom senso que me resta! ;)